Se você ainda acredita que é só postar e esperar que uma hora dá certo, o YouTube de 2026 vai passar por você. Dá para crescer muito mais rápido quando o seu conteúdo vai na direção em que a plataforma está indo.
Estas são as minhas cinco apostas para o YouTube em 2026. Não saíram de achismo: saíram dos dados que o próprio YouTube divulga, dos lançamentos da plataforma e do que eu vejo nos canais que eu gerencio. Algumas já se confirmaram.
1. A volta das collabs, agora com recurso próprio
Quem acompanha o YouTube há tempo lembra do formato. Dois criadores se encontravam, gravavam dois vídeos, e cada um entrevistava o outro para o próprio canal. O Cristian Barbosa fazia isso com o Joel Jota, o Jerônimo Theml fazia com o Bruno Gimenes.
O formato voltou. Lá fora, o Simon Squibb passou a entrevistar nomes grandes, como Alex Hormozi e Richard Branson, e o formato pegou entre os criadores de negócios. O Jon Youshaei, mentor de YouTube, publica os podcasts dele em parceria com cada convidado, e o episódio com o MrBeast chegou perto de 6 milhões de visualizações.
O que muda agora é que o YouTube criou um recurso para isso. Com o Collabs, você convida outros criadores como colaboradores do vídeo. Quando eles aceitam, o vídeo aparece com o nome e o botão de inscrição de cada canal, e pode ser recomendado para a audiência de todos.
É o que a gente já usa no canal da Júlia Wolf, que eu gerencio. A página inicial dela ganhou uma prateleira só de collabs.
Como aproveitar: a barreira aqui é o relacionamento. Quem está em grupos de negócios e conhece outros criadores sai na frente. Se o seu canal ainda é pequeno, procure criadores do seu tamanho, com público parecido. Não precisa esperar ser grande para fazer collab.
2. A TV vira a tela principal
Essa já se confirmou. Segundo o próprio YouTube, a TV conectada passou o celular como a principal tela para ver vídeos dentro de casa no Brasil. A participação da TV na audiência de maiores de 18 anos saiu de 41% para 53% em três anos, e mais de 80 milhões de brasileiros assistem ao YouTube pela TV.
O YouTube sabe que navegar pelo aplicativo na TV ainda não é tão confortável quanto numa Netflix. Por isso redesenhou o aplicativo de TV para brigar de frente com os serviços de streaming: miniaturas de até 50 MB em 4K, no lugar do limite antigo de 2 MB, conversão automática com IA de vídeos de baixa resolução para Full HD, banners no estilo Netflix e organização por episódios.
A aposta no formato de episódio também já virou produto: o YouTube lançou as séries de Shorts, em que o criador organiza os vídeos em temporadas e episódios.
Como aproveitar: pense no vídeo como programa de TV, não como post.
| Celular | TV | |
|---|---|---|
| Qualidade | Qualquer resolução passa | 4K, senão fica feio na tela grande |
| Ritmo | Corte rápido, de rede social | Mais calmo, mais perto de programa de TV |
| Formato | Vídeo solto | Episódios que puxam o próximo |
| Chamada para ação | "Link na descrição" | QR code na tela, porque ninguém abre a descrição na TV |
| Duração | Curta | 20 a 40 minutos são bem aceitos |
Quem tem podcast está em vantagem: é o tipo de conteúdo que a pessoa assiste um episódio atrás do outro, no sofá.
3. A nova fase dos Shorts
Enquanto o vídeo longo ganha a TV, o curto domina o celular, e o YouTube está equipando o Shorts para isso.
Do lado da produção, o YouTube trouxe o Veo, modelo de vídeo do Google, para dentro do Shorts, e está levando a edição com IA para o aplicativo YouTube Create. É a resposta dele ao Edits, da Meta.
Do lado da venda, o programa de afiliados do YouTube Shopping chegou ao Brasil. Quem assiste ao Short vê a etiqueta do produto, toca e vai direto para a compra. O YouTube quer deixar de ser só o lugar onde a pessoa conhece o produto e passar a ser o lugar onde ela compra, para competir com o TikTok Shop e com os marketplaces.
Como aproveitar: use as ferramentas nativas, porque plataforma costuma favorecer quem adota o que ela acabou de lançar. E se você tem produto físico, confira os requisitos do YouTube Shopping e comece a marcar produtos nos seus vídeos.
4. A avalanche de conteúdo feito com IA
Essa é a mais óbvia. Quanto melhor ficam as ferramentas de IA para texto, imagem e vídeo, mais conteúdo é produzido com elas, e isso não volta atrás.
O Instagram mostra aonde isso vai. Eu tenho recebido anúncio atrás de anúncio prometendo exatamente isso.
Três carrosséis por dia, feitos em 15 minutos cada. O "zero esforço" força um pouco a amizade, mas o recado é claro: o volume de conteúdo vai explodir. No YouTube a frequência exigida é menor, então a avalanche chega com outro ritmo, mas chega. Junto vêm os influenciadores feitos inteiramente com IA, que já aparecem no Instagram, no TikTok e no YouTube.
5. O rebote: o conteúdo real
A quinta aposta é o oposto da quarta, e é consequência dela. Quando todo mundo consegue produzir conteúdo perfeito com IA, o que ganha valor é o que só uma pessoa real consegue mostrar: a rotina, o bastidor, a falha, a opinião.
O movimento já aparece. O Robert Herjavec, investidor do Shark Tank, publicou um vídeo mostrando como passa sete dias da semana.
Aqui no Brasil, o Paulo Vieira modelou o formato e começou a publicar "um dia na vida". O PrimoCast criou a série "24 horas", acompanhando um empresário por um dia inteiro, e um quadro de rua perguntando o que os brasileiros sabem sobre dinheiro e marketing. E o Daniel Dan virou referência em vlog de rotina, com um cuidado de imagem tão grande que um dos vídeos mais vistos dele é justamente sobre como ele filma a própria vida.
Como aproveitar: misture no seu canal algum conteúdo de bastidor e de rotina. Bastidor não é expor a vida pessoal: é mostrar como o seu trabalho acontece de verdade, do jeito que nenhuma IA consegue inventar.
O que já se confirmou
Das cinco apostas, duas já viraram produto na plataforma. O YouTube lançou o recurso de Collabs e transformou o episódio em formato oficial, com as séries de Shorts e a organização por episódios no novo aplicativo de TV. E o dado da TV como principal tela dentro de casa veio do próprio YouTube.
As outras três seguem em curso: o Shorts ganhando ferramentas de criação e de venda, a IA inundando as plataformas e o público procurando, cada vez mais, alguém real do outro lado da tela.