Eu vou contar o conselho que me fez investir R$ 10 mil que eu não tinha numa mentoria de YouTube. Apesar do que parece, não foi um conselho sobre dinheiro.
A pergunta no carro
Em 2022, eu fiz uma viagem de trabalho com o Rafa Medeiros, um grande amigo com quem eu já aprendi muita coisa. Foram mais de cinco horas de estrada, conversando sobre tudo, até que ele virou para mim e perguntou:
"O que você acha que é preciso para entrar na mentoria de um grande player do mercado?"
Eu respondi quase na hora: dinheiro. Para mim, a resposta era óbvia.
Ele riu e disse uma coisa que mudou a minha visão de negócio dali em diante: "Não. Você não precisa de dinheiro. Você precisa de coragem. Se esperar ter o dinheiro para dar o passo, você nunca vai dar."
Aquilo foi um soco no estômago, porque eu percebi na hora que ele estava certo.
O medo que se chama de planejamento
Tem uma coisa que quase ninguém gosta de admitir: o medo trava, e trava mais do que a gente gostaria. Se não fossem os medos que seguram a gente pelo caminho, provavelmente você, e eu também, estaríamos em outro patamar, empresarial, financeiro e até familiar.
Quem empreende escolhe assumir risco. Lidar com medo, trava e incerteza é quase parte do trabalho, principalmente para quem quer sair de pequeno empreendedor e virar empresário.
Esperar o momento perfeito, ou esperar o dinheiro chegar para fazer tal coisa, é uma ilusão. E é uma ilusão confortável, porque a cabeça justifica: agora não dá. Só que muitas vezes o que falta não é o dinheiro, é a coragem de agir.
O pior é quando a gente mente para si mesmo e chama o medo de planejamento. "Vou me preparar." "Vou decidir quando tal coisa acontecer." A gente se acha precavido quando está sendo só medroso.
Naquele carro eu percebi que estava me enganando havia muito tempo. Até ali, eu nunca tinha investido mais de R$ 1 mil num curso, num treinamento ou numa comunidade. Sempre achava que não era o momento de investir mais em mim e na empresa, e achava que o motivo era financeiro. Era emocional.
O teste
Alguns meses depois da viagem, a vida me colocou à prova. Eu acompanhei o lançamento de um grande mentor de YouTube, alguém cujo trabalho eu admiro e com quem eu já tinha aprendido muito. No fim, ele abriu vagas para uma mentoria de R$ 10 mil.
Eu queria muito entrar. Tudo o que foi construído naquele lançamento fazia sentido para o meu momento. Eu já trabalhava com YouTube do jeito que eu trabalho hoje, como gestor de canais, e já tinha alguns clientes. O processo que eu uso até hoje já tinha nascido. Mas eu ainda tinha muita insegurança. Não sabia se estava fazendo certo. Era o começo da jornada.
Aquela mentoria era o investimento certo para o momento certo. E, de novo, eu não tinha os R$ 10 mil. Pior: eu não tinha nem o valor das parcelas.
Foi quando eu lembrei da conversa no carro. A decisão não era financeira, sobre se eu podia ou não. Era emocional: se eu queria ou não, se o medo ia ser maior do que eu. Eu não tinha certeza nem dinheiro. Tinha a vontade de fazer parte daquilo, porque sabia que seria um passo importante na minha carreira. Era continuar igual ou crescer no desconforto.
Eu entrei. Parcelei no máximo de vezes e decidi que ia fazer alguma coisa acontecer para honrar aqueles pagamentos. Foi a primeira vez que eu investi R$ 10 mil em mim e no meu negócio, sem garantia nenhuma, morrendo de medo, mas sabendo que era o caminho certo.
O que aconteceu depois
Eu comecei a participar dos encontros e a enxergar coisas da empresa, do posicionamento e do projeto que eu não estava vendo. Fiz ajustes muito simples, mas estratégicos. E ganhei, principalmente, confiança: o que eu estava fazendo estava certo. Eu só precisava dar tempo para as coisas acontecerem. Tem o momento de plantar e tem o momento de colher.
A colheita veio antes do que eu esperava. Poucas semanas depois, eu fechei dois contratos novos. Cada cliente pagava R$ 3.500 por mês, o que somava R$ 7 mil de receita recorrente. O problema do pagamento da mentoria estava resolvido.
Eu não tinha o dinheiro. Tinha um negócio andando e a certeza de que precisava do próximo passo.
- R$ 10 mil numa mentoria de YouTube
- Parcelado no máximo de vezes possível
- Sem ter nem o valor das parcelas naquele momento
- Até ali, nunca tinha investido mais de R$ 1 mil num curso
- Ajustes simples e estratégicos no posicionamento
- Confiança de que o caminho estava certo
- Poucas semanas depois, dois contratos novos de R$ 3.500 por mês
- R$ 7 mil por mês de receita recorrente
Não foi sorte. Foi o resultado de agir no meio da incerteza e de continuar fazendo a minha parte depois. Ali eu tive certeza: eu não precisava de dinheiro, eu precisava de mais coragem nas minhas decisões.
E a história não é tão romântica quanto parece. Nem sempre as coisas dão certo. O que dá para fazer é agir para que elas deem mais certo do que errado, e isso já é suficiente para avançar muito.
Qual é a sua decisão corajosa?
Eu não sei qual seria essa decisão para você. Talvez seja fazer uma mentoria, contratar alguém, começar a produzir conteúdo e se posicionar na internet, sair de um trabalho que não faz mais sentido ou investir mais no seu negócio. A vida sempre vai pedir decisões corajosas.
Numa reunião com um estrategista cujo projeto de YouTube eu vou tocar, ele contou da vez em que vendeu o carro para poder contratar gente para o negócio dele. Hoje ele colhe o que plantou, porque não deixou o medo vencer.
A escolha é sempre a mesma: ser maior ou menor do que o seu medo.
Se você quer entender o trabalho que nasceu dessa decisão, eu explico aqui o que faz um gestor de YouTube.